Filha,
Veja esta parte de uma entrevista com um índio brasileiro. As sutilezas falam muito, filha. Preste atenção nelas, sempre. Não sei como será o mundo quando estiver adulta, mas tenho certeza que se não fizer a sua parte, o mundo será um pouco pior. Leia a entrevista, filha. Pense sobre isso. Beijos.
“Ninguém vai conseguir andar descalço no Xingu”
Época – Como vocês perceberam essa mudança?
Winti - Meu povo ainda vive do que pesca e planta. A gente sempre faz a roça de acordo com os sinais da natureza. A hora de plantar é quando o murici (uma árvore típica do cerrado) floresce. A gente faz a roça e espera a chuva. A cigarra canta e então chove. Hoje, não chove mais quando a cigarra canta. A gente fica esperando e não sabe mais quando plantar. As estrelas brilham no céu, mas a chuva não cai. As frutas também estão nascendo em épocas diferentes. Umas que só dão no verão já amadureceram em setembro. A terra está muito quente também. Na aldeia todo mundo podia andar descalço. Hoje, nem nos rituais podemos ficar descalço, porque dá bolha no pé quando dançamos. E esse sol? Não era tão quente. O homem cortou muito, destruiu todas as árvores e você vê, precisamos de árvore para suportar o calor. Tudo que está acontecendo é a comprovação do que os pajés já vinham falando.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
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