segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Três horas

Este é o tempo que o Igor (analista de sistemas da agência) me deu para meu computador voltar ao normal.

Para minha sorte, o computador da Cris, revisora da agênica, está livre, pois ela pediu para tirar as horas extras às quais tem direito.

Mesmo assim, todos meus arquivos estão no outro computador.

Resolvi aproveitar este tempo livre, para escrever mais para você.

Eu passo muito tempo fora, filha. Você sente isso. Hoje, você chorou muito quando saí para trabalhar. Dá um aperto no coração ter de virar as costas para você enquanto chora no colo da babá.

Este fim-de-semana ficamos muito juntas. Talvez, por isso mesmo, essa segunda tenha sido mais difícil para você.

Quando você estiver lendo estas postagens, vai ter dez anos ou mais. Antes, seria difícil entender alguma coisa. Eu não sei o que acontecerá até lá. Não sei como estará nossas vidas, não sei de nada. A única coisa que eu quero que você tenha certeza, sempre, é que o meu amor por você é maior do que tudo nessa vida.

Você está em primeiro lugar em todos os meus pensamentos. Não faço nada sem antes pensar em você. Pelo menos nada que envolva a sua vida.

Ontem, você apertou meu nariz e disse: "pen". Seu pai ensinou isso a você. Engraçado, você não esquece nada que ele ensina. Mesmo que passe um tempão. Fico feliz com isso, gosto de saber que vocês têm um bom entrosamento, ainda que ele, na minha opinião, veja pouco os filhos. Não só você, este é o jeito do seu pai mesmo, com todos os filhos. Como eu já te disse, seu pai tem um jeito diferente de amar. Mas ama.

Voltando a nós duas, depois de muitos apertos no nariz e muitos "pen", você resolveu brincar de apagar e acender a luz, na tomada ao lado da minha cama.

Eu já estava morrendo de sono, mas você acendia a luz e dizia: "puuu", e quando apagava dizia: "paaa" e ria, ria.

Filho ensina a gente a ter paciência. Porque por mais que a gente tenha, às vezes, de ultrapassar nossos limites de cansaço, é impossível não ficar comovida com as atitudes de uma criança. Não dá para ficar com raiva mais de cinco segundos. A doçura e inocência são mais fortes que tudo.

Você só me deixou dormir tarde da noite. Justamente na hora que relaxei e pensei: "ta bom, vou entrar na brincadeira então." Aí comecei a apagar e acender a luz com você, e pronto! Logo, logo, você apagou.

Essas coisinhas fazem uma mãe crescer, entender que filho é isso mesmo, eles determinam nossos horários, nossos passeios, tudo.

Mas vale a pena. Amo demais.

Outra reunião. Bjus.

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